Se você acredita que o bebê é um ser ingênuo, a mais frágil e delicada das criaturas, um livro em branco ainda incapaz de perceber o mundo que o cerca, talvez o ingênuo seja você. “O recém-nascido não é nada disso”, diz Andrew Meltzoff, professor de psicologia da Universidade de Washington. Sua mensagem é clara: as pesquisas nos últimos 30 anos revelaram que a capacidade de aprendizado dos bebês é muito maior do que se imaginava.
Meltzoff afirma que a máquina de absorção de conhecimento dos bebês começa a funcionar já nos primeiros dias de vida. Trata-se daquilo que muitas mães já sabiam por instinto...
Eles sabem distinguir a voz humana de outros sons.Poucos dias depois do nascimento, já reconhecem faces, vozes e até o cheiro dos pais. Mesmo antes de falar, aprendem a se comunicar por gestos e interpretar expressões faciais de felicidade, tristeza e raiva. Eles já conseguem realizar conexões de causa e efeito entre dois eventos de modo a prever ou controlar um terceiro. Ou seja, percebe que o movimento das pernas pode fazer balançar o móbile acima de seu berço e repete o gesto com intenção de balançá-lo.
Entender esses e outros aspectos é importante na hora de estimular o seu bebê. Não devemos subestimar, mas também não devemos super-estimular o bebê além do que ele está apto e disposto a assimilar.
O mais importante é respeitar cada fase da criança e a individualidade de cada um. Acima de tudo o bebê deve estar disposto para brincar.
A brincadeira serve como aprendizado e estímulo, desde que seja significante para ele e realizada sempre com muito carinho, amor e respeito.Não existe aprendizado sem afeto. Os bons sentimentos são importantes. Os educadores sabem que as crianças aprendem melhor quando estão satisfeitas com elas mesmas.
A criança que se sente amada aceita, valorizada e respeitada, adquire autonomia, confiança e aprende a amar, desenvolvendo um sentimento de autovalorização e importância. A auto-estima se aprende. Se uma criança tem uma opinião positiva sobre si mesma, terá maiores condições de aprender. A opinião que a criança tem de si mesma está intimamente relacionada com sua capacidade para a aprendizagem e com seu rendimento. O autoconceito se desenvolve desde muito cedo na relação da criança com os outros.Os pais atuam como espelhos, que devolvem determinadas imagens ao filho. Desenvolvemos o forte vínculo do amor, essência humana, em matéria de sentimentos. É nesta interação afetiva que desenvolvemos nossos sentimentos positiva ou negativamente e construímos a nossa auto-imagem.
É muito importante a construção sólida da auto-imagem nesta primeira infância.Desde os pequenos bebês, pois eles sentem o que despertam nos adultos a sua volta.
Além de ser o espelho a referência dos filhos, os pais e educadores devem saber que, não só o que falamos, mas todas as nossas atitudes são observadas. Crianças aprendem muito com os nossos exemplos, às vezes mais do que com as nossas palavras.
Fabiane Boyadjian
Berçário e Escola Balou
fabiane@balou.com.br
